Cuidar do Ambiente: a arte como caminho para o equilíbrio interior e planetário
- NAPE - Núcleo de Arte e Educação
- 2 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Reorganizar o caos: o poder simbólico da arte
A arte, assim como a vida, tem o poder de transformar o caos em harmonia. Através do ato criativo, o que era descartado ganha nova forma e significado. Esse processo reflete a própria necessidade humana de reorganizar o interior para reencontrar o equilíbrio.
Como afirma Souza, é preciso resgatar a saúde e o equilíbrio interior para reconectar-se com a espiritualidade que sempre fez parte da história humana. A natureza nos ensina isso: ela não produz lixo, apenas recicla. Assim, reorganizar o lixo ambiental começa por reorganizar o lixo mental.
Na Arteterapia, esse movimento é simbolizado pelo uso de materiais reaproveitados, transformando restos em expressão e cura. Ao recriar o mundo externo, o indivíduo também se refaz internamente — e, ao se tornar mais consciente, cuida melhor de si, do outro e do planeta.
O humano cuidador: a essência do terapeuta
O verdadeiro terapeuta é aquele que cuida com amor. Inspirados nos terapeutas de Alexandria — filósofos que viam o ser humano como corpo, alma e espírito integrados —, os arteterapeutas contemporâneos retomam esse papel ancestral: cuidar do Ser e do Sopro que habita cada um.
Segundo Leloup, o terapeuta é aquele que “cuida do que não é doente em nós”, sustentando o sagrado que inspira a vida. Ele escuta o silêncio, o corpo, a arte e o sussurro da alma, acolhendo o outro com presença, ética e compaixão.
O arteterapeuta como instrumento do amor
Mais do que um profissional, o arteterapeuta é um cuidador da alma. Ele une conhecimento técnico e sensibilidade espiritual, atuando com empatia e presença. Seu papel é o de acompanhar o outro em seu processo criativo, ajudando-o a decifrar os símbolos que emergem das imagens e gestos.
A arte, nesse contexto, é uma linguagem simbólica que fala onde as palavras se calam. Cada traço, cor ou forma se torna expressão da alma e caminho de autodescoberta. O terapeuta acolhe sem julgar, com o coração aberto, permitindo que o assistido encontre significado e cura em sua própria criação.
O toque sagrado do cuidado
Leloup lembra que “curar alguém é fazê-lo respirar” — libertar o sopro da vida, remover os nós da alma. Essa é a essência do trabalho arteterapêutico: restaurar o fluxo entre corpo, mente e espírito, cultivando presença e vida.
O toque do arteterapeuta é semelhante ao gesto do agricultor que prepara a terra com respeito e gratidão. Ele semeia possibilidades de transformação, ajudando o outro a florescer com consciência e amor.
A arte como caminho de cura planetária
A doença física, emocional e espiritual do ser humano nasce da perda da integralidade — da desconexão com a natureza e com o cosmos. Recuperar a consciência de pertencimento à teia da vida é reencontrar o Sagrado.
A Arteterapia, como instrumento integrador, nos convida a esse retorno. Ao curar o indivíduo, cura-se também o planeta; ao cuidar do planeta, cura-se o ser. Assim, arte, espiritualidade e cuidado se tornam um só gesto — o gesto sagrado de reconectar o humano à totalidade da vida.



