O Processo de Individuação

por Carlos Vendramini



“Torna-te que tu és” Pindaro.


O processo de individuação é considerado o conceito central da Psicologia Analítica, vem de encontro a realização do Si-mesmo, do Self. O termo individuação nos remete ao processo de se tornar indivisível, homogêneo, no qual o ser humano se torna “individum psicológico”, maunidade autônoma e indivisível – uma totalidade. O processo de individuação é descrito como semelhante ao processo criativo. Em o Segredo da Flor de Ouro, Jung diz:


“Nesse meio tempo, eu aprendera a compreender que, no fundo, os maiores e mais importantes problemas da vida são todos insolúveis; e assim tem de ser, pois exprimem a polaridade necessária, que é imanente a todo sistema regulador. Nunca podem ser resolvidos, apenas superados pelo crescimento, ou seja, de evolução psíquica, não seria o dado normal, e a permanência junto a um conflito ou dentro dele, o dado patológico.”


Ao superar as dificuldades, ou suportar os períodos de travessia ao deserto, o indivíduo a partir do inconsciente é submetido ao impulso de desenvolvimento a ser assimilado – aproximando de sua unicidade, tornando cada vez mais evidente a visualização de sua própria personalidade.


O objetivo do individuar-se é tornar ao longo da vida cada vez mais aquele ou aquela que somos, cada vez mais autênticos, autorais, em consonância conosco; individuar-se é uma confrontação dialógica entre o consciente e o inconsciente, unificando-se através do meio simbólico, resultando em um processo de diferenciação; a peculiaridade da natureza única que uma pessoa pode se exprimir – Jung aponta que o processo de individuação é como se sentíssemos nossa vida como algo que faz sentido.


Como símbolo da Individuação, Jung usou por diversas vezes a imagem de uma semente e da árvore que cresce a partir dela; de um carvalho nascera outro carvalho. Ele não pode decidir se transformar em ipê, mas consideramos que dependendo de onde o fruto do carvalho cair, irá desenvolver-se de maneira diferente. As tempestades, adversidades, clima, diferentes solos e nutrição irão emaranhá-lo em maior ou menor medida. Um bom ambiente possivelmente irá permitir uma árvore estável, e somente na contemplação da árvore adulta que é possível contemplar o que fora depositado na semente. Para Jung, o processo de individuação é sobretudo o processo do desenvolvimento na segunda metade da vida, acreditando que o desenvolvimento se postula até a morte.

Texto retirado da apostila da Pós Graduação em Arteterapia, por Carlos Vendramini, Psicólogo e Arteterapeuta.

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