As imagens nas terapias expressivas


O campo das terapias expressivas tem crescido muito desde o início do século XX, com os estudos de C. G. Jung, na Suíça, e nas últimas décadas no Brasil com o desenvolvimento das ações de Nise da Silveira. Neste sentido, a arteterapia é tida como prática terapêutica que engloba as áreas da ciência e da arte, especialmente quando médicos descobrem na arte um potencial remissivo de sintomas psicológicos disfuncionais. No campo de pesquisa da imagem, da criatividade e da imaginação, a arteterapia transformou-se em uma alternativa para os problemas psicológicos, em um processo em que cada indivíduo encontra possibilidades de expressão de si mesmo e constrói através de técnicas artísticas as possíveis soluções e remissões para o conflito expressado.

A compreensão desse fenômeno manifesto em arteterapia é um tanto complexa, pois abarca conhecimentos de diferentes áreas da ciência, como a Psicologia, a Linguagem e, mais recentemente, as Neurociências: a psicologia como fundamento da fenomenologia do comportamento humano; a linguagem como suporte para o diálogo entre o consciente e o inconsciente manifestado artisticamente; e as neurociências na compreensão dos avanços do funcionamento cerebral, graças a mecanismos que “recortam” o cérebro em diferentes partes para compreender como cada um funciona em termos físicos e químicos. Rodolfo Berg nos fala com propriedade a respeito da imagem na arteterapia:

Não é sinônimo de mundo físico a ser percebido, localizado no espaço tempo, “imagem não o é que se vê, mas como se vê”. Não se trata, portanto de ser percebida como a montanha, o trem ou aquela que está plasmada na argila feita num trabalho expressivo. “Uma imagem pode ser sem ser percebida, pode estar sem estar representada”.

E também:

Imagem é um processo, um vir-a-ser contínuo, holístico e integral. Em verdade, imagem é o mundo, a vida e a alma de todas as coisas, que se revela a cada instante. Para reconhecê-la é preciso um “coração vivo”, um “olhar poético”, uma “imaginação desperta”.

Berg complementa: “é um fenômeno onde a sua principal característica não é materialidade ou a visibilidade, mas sim a penetrabilidade e a movimentação contínua e perpétua”. Nessa sequência de raciocínios, entende-se que o discurso da imagem é o discurso do mundo do cliente em arteterapia. O trabalho do arteterapeuta presume considerar que os pensamentos e sentimentos exprimem-se melhor em imagens do que em palavras. Reconhece que o indivíduo, mesmo não sendo um artista, possui a capacidade de externar seu mundo interno através de imagens construídas com recursos artísticos. A manifestação do conteúdo artístico é potencialmente reveladora na própria imagem em si, busca essa que o cliente faz junto com o Arteterapeuta na sessão quando lhe é questionado a respeito de sua obra e criação. A leitura da imagem é feita pelo próprio cliente e conduzida pelo Arteterapeuta como uma forma de compreender o processo pelo qual aquela imagem manifestou-se e o que essa imagem trouxe junto com ela de significativo para a terapia. Berg ainda recorre ao método metafórico de Hillman para que as imagens possam ser mais facilmente compreendidas, não apenas pelo seu significado linear, mas até por aquilo que transcende a nossa compreensão.


REFERÊNCIAS

BERG, Rodolfo. Arteterapia. Imagens da Transformação, Rio de Janeiro, v. 6, 1999.


Texto por Fabíola Gaspar- Psicóloga, Arteterapeuta e Coordenadora Técnica do NAPE

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